... é para todos!

 

 

São belas as formas expressas colectivamente pelos meus amigos estorninhos. É mesmo uma escola da Vida. Muita gente já viu disto pelos campos alentejanos e algarvios e, até, sobre Lisboa, uma das suas áreas de preferência, noutros tempos

 

A escola da vida, era uma escola que um amigo meu, compadre do meu pai, o ti Cachês, sempre sabia defender.

Todos os animais, todos os amigos do Quico, têm uma escola e todos têm a vida compartimentada por espaço-tempo de crescimento, aprendendo sempre.

Desde que me conheço que a minha vida existe debaixo do tecto do meu amigo Apolo, neste Planeta Azul e todos, com escola ou sem escola, temos de fazer pela vida.

Deixo-vos aqui os estorninhos negros, os meus novos amigos que, enquanto jovens, são cinzentinhos. 

 

 

 Cuidado mãe que anda aí um estranho!

 

 

Não faz mal, filho, é o Ventor

 

Hoje aprendi uma coisa nova com os amigos do Quico, pelo menos, os estorninhos.

Os meus amigos estorninhos nasceram e estão a crescer bem. Mais uns diazitos e, com um pouco de sorte, caminharão nas relvas, ao lado de seus pais. Na sexta-feira, fiquei dentro do carro, a seu lado. Ali, perto do ninho, a sua casota improvisada e fui observando o seu mundo. Por fim, os papás dos meninos bonitos, começaram a ficar preocupados com a presença de um estranho, dentro de um carro com vidros foscos e que nem conseguiam identificar.

Eles levavam o comer aos filhotes, os seus meninos bonitos e começaram a ficar preocupados com a presença do carro junto das caminhadas do seu vaivém frenético da alimentação daquelas bolinhas de penas. Numa das suas saídas quase juntos e amedrontados, eu saí dali para que ficassem à vontade, longe deste metediço e continuei a apreciá-los de longe. Fiquei no centro de um  triângulo, com um ninho em cada vértice mas, apenas neste ninho, os pequeninos eram visíveis. Daí os escolhidos.

 

 

Eu sei que é o Ventor, filho, porque o vi fora do carro

 

Porém, durante esse tempinho, aprendi umas coisas. Aprendi que os meninos negros, à medida que vão ficando grandinhos, não queriam os seus aposentos sujos. Eles, colocavam o seu traseiro no buraco de entrada e saída do seu ninho e fazem as suas necessidades fisiológicas para fora de casa. Eles são pelo menos três, tantos quantos vi juntos a espreitar, pelo buraco, a tentarem identificar o que este intrometido fazia por ali e foram três vezes as descargas bombásticas efectuadas. Não quero dizer que foi uma por cada um mas, por pura coincidência ou algum repetiu, sei apenas que foram três. Como não os quis incomodar, acabei por ir embora, pois sempre que metiam a cabeça de fora, a primeira coisa que espreitavam era eu. E diriam uns para os outros: "aquela coisa nunca mais sai dali, será que é o Ventor"?

 

 

Manos, espero que a mãe não esteja enganada, e que o pai venha depressa!

 

Também aprendi que o egoísmo é um acto presente na vida animal. Dos três estorninhos pequenotes, um é bem maior que os outros dois. Deve ser o politiqueiro lá do sítio. Ele sabe que, ficando à porta, é o primeiro a ser servido porque o pai e a mãe vêm-se aflitos para os alimentar e, o primeiro bico é sempre o primeiro a apanhar o que quer que vá a caminho. Na mente do gajo estará isto: "eu quero encher o papo, os meus irmãos que se lixem"!

Espero que tenham sorte, porque estão situados num local acessível até a crianças e, se os passareiros os topam, estão lixados.







Eu sou o neto do Tobias, o melro amigo do Quico e do Ventor. Agora sem o Quico e sem o meu avô, estarei por aqui, com os nossos amigos, ao lado do Ventor e do Pilantras


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 15:43