As minhas rolas!

São as rolas que viveram comigo, em redor das minhas Montanhas Lindas, durante os primeiros 15 anos da minha vida. Nos anos 50', haviam rolas bravas em todos os bosques, em redor de Adrão.

Elas, os pombos bravos, os cucos, as poupas e outros penudos, caminharam em todas as primaveras e verãos, ao lado do Ventor. Podia mesmo dizer que cantavam todos para o Ventor.

 

Mais tarde, em Lisboa, vim a conhecer as rolas turcas. Depois, ainda mais tarde, voltei a caminhar ao lado das minhas amigas, nas lânguas de Marrupa e, mais especialmente, no Planalto de Vila Cabral, nos montes e nas machambas, onde elas me "falavam" e cantavam como aquelas que conheci por Adrão.

Hoje, raramente vejo uma rola brava nas minhas caminhadas, o que eu vejo mais são as rolas turcas, essas sim, bebem água cerca de 100 metros e cantam para mim, na prática, todos os dias, tentando captar as simpatias do Ventor. Mas, não é a mesma coisa! Elas são lindas, somos amigos, mas não são as minhas rolas, apesar de, sempre, ao espreitar pela janela, ouvir o seu som a fazer-me lembrar a "mãe negra" das minhas amigas africanas.

 

 

Uma rola brava 

 

Esta rola foi a rola que vi mais de perto, apesar de ainda longe, junto ao rio Lizandro, em Mafra. Foi fotografada sem saber, sequer, se era uma rola. Só aqui no computador vi que era uma rola. Fotografei outras três, o ano passado, bem longe, num pequeno bosque, perto de Açafora. Estas, no meio da folhagem verde. Via que eram rolas, mas julgava serem rolas turcas. Pelo sim, pelo não, disparei a máquina para, em casa, observar melhor. Nas minhas caminhadas aponto a máquina a tudo que é rola ou me pareça tal, desde que não confirme à vista, tratar-se de rolas turcas.

 

Cerca de 20 km, a norte de Santarém, nos bosques das linhas de água e campos de cultivo, há muitas rolas. Fotografei, nos últimos anos, centenas de rolas e eram todas turcas. Quando não identificava as rolas fotografava-as, porque me informaram, gentes da terra, que apareciam por lá, rolas bravas e parece-me que o local seria o ideal para elas.

 

Mas existem muitas outras espécies de rolas por esse mundo fora, para além das rolas turcas e todas elas são penudos bonitos. As rolas turcas querem fazer-me inveja, imitando as minhas rolas bravas, as minhas primeiras companheiras e as de África. Às vezes, ao ouvi-las, julgo-me em África, o som que mais lá ouvi, nas minhas caminhadas cinegéticas.

 

 
 
Uma rolinha deste nosso mundo que tal como todas as outras, merece o nosso respeito
 
Ave do Ano 2012 - Rola-brava (Streptopelia turtur), a chamada rola comum
 
Segundo a SPEA - Sociedade para o Estudo e Conservação das Aves, informa que a rola brava se encontra em decréscimo acentuado na maior parte dos países europeus. Segundo esta ONG, os estudos realizados, em 25 países da Europa, indicam que, em 29 anos, de 1980 a 2009, houve um decréscimo de 69% da rola brava na Europa e, só entre 2004 e 2010, num espaço de seis anos, teve um decréscimo de 31%. Estas estatísticas revelam-nos como, para além de muitas outras certezas, nós, também com as caçadas, estamos a interferir negativamente, nas caminhadas das belas rolas bravas.
 
Serão várias as causas que interferem no decréscimo populacional da rola brava:
perda do habitat de reprodução, devido à intensificação agrícola e florestal e à intensidade habitacional, com a degradação de sebes e linhas de água, originando assim, uma simplificação agrícola, com as monoculturas e usos de fito fármacos. Tudo isto, aumenta a degradação do habitat da rola brava.
Também os caçadores fazem uma caça intensa à rola brava, calculando-se uma destruição superior a 10% na população da rola brava, na Europa, calculada entre 2 a 3 milhões por ano.
 
 
Uma rola brava, em Açafora - eram três
 
Também na sua zona de invernação a rola brava corre perigos, com as secas prolongadas nas área subsaarianas com o avanço para sul do deserto do Sahara. As rolas bravas necessitam das linhas de água e dos bosques de protecção, uns e outros cada vez menos presentes nos trilhos das suas caminhadas de migração, de e para a África a sul do Sahara.
Vamos, por isso, fazer pressão sobre as entidades públicas para terminar com as caçadas às rolas bravas, permitindo, assim, a possibilidade de refazer as suas populações pois, todos os outros males que os humanos praticam, mesmo que involuntariamente, à rola brava, já são bem grandes. 
 
Diz a SPEA que, "Actualmente existe um Plano de Gestão da União Europeia para a Rola-brava, ao abrigo da Directiva Aves. Este plano prevê medidas essenciais e urgentes como a publicação anual de estatísticas da caça credíveis, o desenvolvimento de um modelo populacional preditivo para calcular o abate anual sustentável, o estudo do sucesso reprodutor e da mortalidade invernal e dos factores que os afectam. Apesar do Plano de Gestão estar em vigor desde 2006, quase nada foi feito em Portugal".
Nada de admirar, que isto aconteça num país que tem sido governado por indivíduos que merecem uns atributos que não aplico aqui, por uma questão de educação mas que bem os merecem.
Vá lá, meus senhores, façam alguma coisa bem feita! Ou só andam de volta da União Europeia para o saque?
 

 

 Procurei um vídeo do Youtube para matar saudades das rolas bravas e encontrei esta tristeza. O pior dos predadores, o homem que deixa as suas armadilhas estendidas pelo mundo, colocando já a rola brava a caminho do livro vermelho dos animais em perigo de extinção
 






Eu sou o neto do Tobias, o melro amigo do Quico e do Ventor. Agora sem o Quico e sem o meu avô, estarei por aqui, com os nossos amigos, ao lado do Ventor e do Pilantras


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 21:37