Foi o Peregrino do Cartaxo!

Apanhei uma "picada" em direcção à cidade do Cartaxo mas, torci à direita e fui para casa. Sentei-me um pouco e bebi qualquer coisa. Como não gosto de ficar sentado, voltei a levantar-me e fui dar mais uma volta, agora por ali. Passava junto ao loureiro e senti, um grande estrondo dentro do edifício que em tempos fora uma cavalariça. olhei em direcção do barulho e vi uma porta aberta. Entrei e vi uma ave, com as asas abraçadas no parapeito da janela, só que as janelas são muito altas e eu nbão lhe chegava. Pareceu-me ser um pombo. A minha reacção foi: "espera que eu já te tiro daí senão matas-te"!

 

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A primeira vez que bateu contra o vidro, ficou assim

 

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Da segunda vez que se mandou contra o vidro ficou assim

 

O bicho estava abraçado à pedra e eu comecei a estranhar tratar-se de um pombo. A ave levantou voo e foi bater noutra janela. Desta vez caíu e ficou no chão. Apercebi-me, então, tratar-se de um falcão peregrino! Eu nem precisava de me mexer, ele levantava voo e ia contra outra janela. Ele é que batia contra os vidros e a mim é que me doía. Para não perder o controlo do falcão, telefonei: "João, trás cá uma toalha para tirarmos um falcão senão ele mata-se"! Era um duro mas eu pensei que ele acabava por se matar. Já era quase noite e a estratégia era deixar escorecer para o tirarmos mas ele continuava a disparar contra as janelas que nunca mais tinham fim.

 

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Da terceira e da quarta vez ficou assim, agarrado ao fio

 

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Esta foi a quarta vez, e aqui toma a posição do deus egípcio Hórus

 

Pensei em ligar para a GNR do Cartaxo para nos indicar como ou ajudar a resolver o problema do falcão porque a noite caía e ele continuava a procurar a liberdade que perdera ao entrar ali dentro. A Dona dos perdigueiros ouviu mais um estrondo do falcão contra uma vidraça. Entrou, pegou numa toalha de plástico e, notando que o falcão já estava azambuadoi, deitou-lhe a toalha em cima e pegou-o. Trouce-o para fora e libertou-o logo da toalha. Com as cacetadas que deu contra os vidros e, se calhar com o susto, ficou inanimado no chão. Acordou logo, olhou-nos e ficou quieto.

 

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Nesta foto ele tinha saído de uma pequena síncope, de segundos

 

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Aqui já faz o seu  julgamento se me deveria ver como adversário ou como amigo

 

Trouxeram uma taça com água para lhe dar e ele sempre livre, voaria logo que se sentisse capaz. O joão, o dono da quinta, molhou dois dedos na taça, passou-lhe os dedos com água desde o bico à cabeça. Depois, fez-lhe uma festa no bico com as costas dos dedos e, o nosso amigo peregrino já se apercebera que nós só queríamos o seu bem. Aguentou por ali um pouco e, por fim, quando se sentiu capaz, terá dito: "adeus amigos, vocês são bestiais. Eu hoje aprendi uma liçãp. Nunca mais procuro ratos nem pássaros nestes sítios"!

 

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Aqui faz o mesmo julgamento do João: "friend or foe"? Amigo ou inimigo?

 

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 Aqui avalia o braço mais de perto, o braço que lhe oferece água

 

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Agora o João molha dois dedos e leva-os à cabeça do falcão, a partir do bico

 

Levantou voo, passou por trás do loureiro e rumou às canecipes. Pousou nos paus do redondel dos cavalos, olhou-nos, levantou voo e foi-se à sua vida.

Eu sempre quis fotografar um falcão peregrino mas, nunca esperei que fosse assim. Já tentei várias vezes na serra de Sintra e nunca conseguui. Agora dispensava bem que fosse nesta tormenta para uma coisa tão linda

 

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Aqui, depois do toque com os dedos ele olha-me e olha quem o caçou com a toalha

 

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Aqui deu mais uma olhada e levantou voo, ficou apenas a taça. Eu ainda tentei tirar-lhe uma foto a levantar voo mas só apanheia a taça. Pousou no redondel dos cavalos, ali ao lado mas num ápice, mergulhou no espaço profundo. Adeus amigo







Eu sou o neto do Tobias, o melro amigo do Quico e do Ventor. Agora sem o Quico e sem o meu avô, estarei por aqui, com os nossos amigos, ao lado do Ventor e do Pilantras


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 19:31