Continuo a fazer pequeninas caminhadas pelos espaços dos Zuzus. Já sei que há mais meninos Zuzus nascidos na floreira da Amadora. Já os vi! E eu e o Zuzu pai, já nos chateamos.

Ele disse-me para me afastar que teria de educar os filhotes a sentirem-se bem ao lado do Ventor e que, neste momento, tudo vai bem. Eu sei que o prédio fez obras e eles foram tratar da cabana para os filhotes, noutro lado. E eu encontrei essa cabaninha, noutro lado e confundi-os, no ano passado com a família Zuzu. O Zuzu ficou danado comigo porque ele acha-se inconfundível.

 

Mas, qualquer que fosse a razão, o Zuzu queria as minhas atenções só para ele e a sua família. Viu-me junto do ninho do meu amigo Virgolino e ficou zangado. Disse-me que não compreendia porque não tinha aparecido. Esta vida está mal para todos, até para a família Zuzu e outros peneireiros.

 

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Este é o meu amigo Virgolino que este ano fez a cabaninha dele no mesmo sítio do ano passado e já tem os seus filhotes a darem-lhe cabo do juízo

 

O Virgolino disse.me que eu era sempre bem aparecido porque sabe que eu não faço mal aos seus filhotes, nem a nenhum da sua espécie. Mas também sabe que eu fico danado quando eles entram, bosques dentro, para assaltar as casotas dos outros penudos e roubar os seus filhotes para alimentar os dele. A desculpa que ele dá é aquela que o meu Quico sabia. "Lembra-te do Quico, Ventor, o mundo está mal feito! O Senhor da Esfera não se preocupou com pormenores. Fez a obra, esfregou as mãos e disse: «'á tá'»! Por isso é que passamos a vida a comermos uns aos outros, Ventor. Olha, vou-me embora, tenho de arranjar comer para a família. E, como os humanos dizem, tudo o que vier à rede, é peixe"!







Eu sou o neto do Tobias, o melro amigo do Quico e do Ventor. Agora sem o Quico e sem o meu avô, estarei por aqui, com os nossos amigos, ao lado do Ventor e do Pilantras


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 23:52