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Amigos do Quico e do Ventor

Nós somos todos filhos do Sol, amigos do Quico e do Ventor

Amigos do Quico e do Ventor

Nós somos todos filhos do Sol, amigos do Quico e do Ventor

Os meus amigos do Lugar do Sol. Uns já foram e outros vieram. Continuam a ser cinco para receber o Ventor mas já não é o mesmo. Nem toda a gente se apercebe de quanta beleza há no olhar de um animal!


Eles perguntavam-me porque só o gato tinha direito de entrar aquela porta e eles tinham sempre que ficar nas suas casotas e eu repondia-lhe que, enquanto procurassem desmembrar o gato nunca ganhariam o direito de entrada. Mas desmembrar um gato seria o direito natural de um cão - diziam! Então esqueçam a porta e não se discute mais. Porta fechada e pronto!



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Até as hienas são amigas do Ventor


23.04.11

O Ventor e as Perdizes


Ventor e Quico

Amigos, eu sou o Tobias, o amigo do nosso amigo Quico, do Ventor e da sua dona, aquela que foi a dona do Quico e, ontem, o Ventor foi ter comigo ao jardim e contou-me uma história engraçada. Ele disse-me que, ontem, de manhã, fez a caminhada de uma hora, sentado dentro do carro.

Nesta sexta-feira santa, o Ventor foi levar a dona do Quico, sua companheira de caminhadas, à manicura.

Deixou-a no sítio, deu a volta ao carro e foi tentar fazer uma caminhada de cerca de uma hora, hora e picos.

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A perdiz a caminho do seu abrigo anti-chuva

Chegou a esse sítio de algumas das suas caminhadas, e ia arrumar o carro no local do costume mas, ameaçava chover. Calculou que não sairia do carro e disse, lá para ele: "vou para a plataforma do meio. Talvez, como não há por aqui gente, as minhas amigas perdizes venham ter comigo"!

E assim foi. Meteu o carro num sítio onde estaria à vontade, a ouvir música e ver chover.

Começaram a cair uns pingos lentos e vê, no cimo de umas escadas de uma urbanização em stand by, uma das suas amigas. Ela deu um saltinho para o último degrau e ficou a observar a viatura. Ficou ali, algum tempo, desconfiada.

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 Aqui ela já sai do abrigo anti-chuva

Como ela não se mexia, o Ventor carregou no botão para descer o vidro a ver se arranjava maneira de lhe apontar a máquina mas, mal o vidro se mexeu, a perdiz deu uma grande corrida, levantou voo e foi para longe. À esquerda, pelo retrovisor, viu uma segunda perdiz a caminhar para ele e, ao tentar abrir o vidro do seu lado, a perdiz deu um sinal sonoro, iniciou a corrida e ala que se faz tarde. Voou em sentido contrário à primeira. Deixaram de cair os pingos e iniciou-se uma grande chuvada!

Do meio das ervas, à esquerda do carro, veio outra perdiz a correr e o Ventor limitou-se a observar como ela iria descolar para se afastar daquela zona que, todas julgavam perigosa.

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A minha nova amiga, passeia-se para o Ventor

Como já devem saber, o Ventor fala com todos os animais e eles, tal como eu, com ele.

Mas o que o Ventor se preparava para ver, não viu. A terceira perdiz, chateada com a chuvada, correu para se meter debaixo de um dos bancos de betão que estão ali para as pessoas se sentarem a apreciar a paisagem, pelo meio ou no fim das suas caminhadas.

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Ela volta para trás para que o Ventor saiba que ela não o receia

O Ventor diz que a perdiz só lhe fez lembrar ele quando foge às chuvadas. O Ventor diz que, quando começa a apanhar os primeiros pingos, começa a ficar danado. Depois fartou-se de rir com a perdiz, quando a ouviu dizer: "chiça! Vou-me abrigar aqui. Não posso com a chuva! Nem a minha gabardina scotchgard me protege"!

Ali ficou a coçar o piolho, a limpar as pingas da gabardina, a gozar a manhã desta sexta-feira santa e, como não podia deixar de ser, a tentar observar o Ventor perante as águas que iam escorrendo pelos vidros do carro todo fechado. Entretanto, em sentido contrário, o Ventor observava a perdiz, ia pedindo a intervenção de S. Pedro para tentar parar a chuva e a ouvir o rádio baixinho, a dizer-lhe que o João Maria Tudela tinha falecido de AVC, no Hospital de Cascais. Nada corria bem ao Ventor! A chuva não parava, não metia a sua música favorita, nem andava e mordia-se todo de raiva de não poder abrir o vidro para tentar fotografar a perdiz que parecia que estava a gozá-lo. Se abrisse o vidro do carro, da maneira como chovia, duas coisas podiam acontecer. A chuva diluviana afogaria os botões da porta do carro e lá se iria o controlo dos vidros, dos espelhos, das portas, do banco. Enfim! Nada seria como dantes e, além disso, havia a hipótese da perdiz fugir.

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Caminha, calmamente, observando-me dentro do carro

O Ventor lá se conteve até a chuva ficar mais macia e acabar por parar. Quando teve oportunidade, esperou que a perdiz levasse a pata à cabeça para coçar a zona dos ouvidos e deu um toque no botão que abre o vidro. Na próxima oportunidade, mais um toque, mais uma descidinha do vidro e por diante, até apontar a máquina.

Por fim, a perdiz, muito esperta, observa o vidro e a máquina a espreitar e, .... atirou com esta ao Ventor: "sabes Ventor, tenho estado aqui toda entusiasmada, abrigada da chuva e a espreitar e apreciar como sofres só para conseguires tirar-me uma ou duas fotos. Deixa parar a chuva completamente, deixa chegar o nosso amigo Apolo e, então, eu vou fazer umas poses para ti. Ainda te dá para aí um AVC como aquele que acabou por vitimar o João Maria Tudela.

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Ela continua a observar o Ventor

A chuva parou, o sol apareceu e a perdiz, permitiu que o Ventor abrisse o vidro, apontasse a máquina, tira-se várias fotos. A perdiz caminhou junto do carro do Ventor e foi-se colocar numas escadas a apanhar sol. Mas o sol foi curto, a chuva voltou a ameaçar intervir e, quando isso aconteceu, a perdiz deu outra corrida e voltou para baixo do mesmo banco de betão! Olhou o Ventor e disse: "decididamente, Ventor, devo ser pior que tu. Tenho pó à chuva. As minhas irmãs devem estar por aí a comer à chuva mas eu não vou nessa. Quando parar de chover pergunto-lhes onde estão e elas chamam-me. Então irei ter com elas"!

 

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Parece ter ganho confiança absoluta, decidindo não fugir

Entretanto, o amigo do Ventor, o Luis Perricho, telefonou-lhe de Ponte da Barca e, quando o telefone tocou, a perdiz disse ao Ventor que ficasse descansado, que atendesse o telefone porque ela não fugiria. Ali esteve impávida e serena a ouvir a conversa. Por fim, a chuva parou, o telefone voltou a tocar e o Ventor arrancou para retomar o seu destino. A perdiz deu um sinal, recebeu uma resposta e, caminhando ao lado do carro do Ventor, já em movimento, voou para o morro onde o Ventor ainda, de dentro do carro, embora longe, lhe tirou três fotos.

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 Ela continua a espreitar o Ventor, lá de cima. O som das irmãs terá vindo de trás do morro

A perdiz, lá de cima, despediu-se do Ventor e disse-lhe: "na semana Santa, não devia de haver nenhuma guerra e todas as semanas deviam ser santas. Todos deviam ser como nós. Tu apenas querias uma foto, Ventor e, eu, também queria ser fotografada. Um dia, nos teus blogs, as pessoas ficarão a saber que, neste pequeno nicho de mundo, tu ainda tiveste perdizes amigas"!


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Garranos em Adrão; fotos que o Quico gostava de ver

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